quinta-feira, 14 de julho de 2011

Inesperado

Nesses últimos anos abri mão de muita coisa. Abri mão de momentos que nunca mais voltarão e, ciente disso, segui em frente com meus compromissos. Como boa canceriana, sempre volto ao lar após as aventuras, abraçando o aconchego e a segurança. Mas passei a esquecer que algumas coisas nunca mudam e que realmente deixei de lado pontos importantes.

Ontem, final do inferno astral, percebi o quanto possuo. Não que eu não soubesse, mas obtive uma grande demonstração que me deixou ainda mais sensível.

Muitas vezes esqueço de agradecer por tudo o que tenho, mas, pesando, parece até que não mereço tanto. Amor é uma coisa engraçada... Amo tanto... E sinto que sou amada.

Àqueles que quase me fizeram chorar de emoção, muito obrigada. Sei que nenhum deles verá isso, mas sabem que estão guardados no fundo do meu coração e que a intenção de tudo o que criaram em poucas horas me deixou realmente comovida.

Obrigada

Amo vocês...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Morfeu - 04/01/2011

Os segundos que precedem o fim
Não são nada além de um novo começo
Em que abandono tudo o que conheço
Sem jamais esquecer-me de onde vim
Abraço o novo com todas as forças
Fecho os olhos para ouvir a razão
Emudecida pelo coração
Da forma como ocorre com as moças
Quando em seus sonhos vagam no jardim
De Morfeu... A criação mais bonita
Para que nenhuma delas resista
Ao seu doce encanto: "venham a mim"
Ele sussurra, toca suas mãos
E a sensação de que o sonho acabou
São vestígios de tudo o que restou
Do labirinto chamado ilusão.

sábado, 4 de setembro de 2010

Soneto XVI

Uma sombra me persegue
Mesmo quando não há luz
Ilusão que me conduz
Não importa o quanto negue

Com as paredes converso
Não vejo o tempo passar
Até o sol despertar
Inspiração para um verso

A mente procura em vão
A saída da caverna
Desse sonho, ilusão

Que há muito tempo é presente
E em nu silêncio me acalma
Para a batalha iminente

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Violino

As cordas do violino
Deslizavam por seus dedos
Emanando a melodia
Que cativava o menino

Ele perdia seus medos
Era o próprio desatino
Movia-se inebriado
Sem medo de seu destino

Olhos fechados, sonhando
Com um lugar sob o sol
Onde dedos não apontam
Seus erros e, caminhando,
Segue o voo do rouxinol

Cessa o som do violino
Resta apenas o vazio
Repousa sob o céu puro
Corpo inerte no chão frio

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Coffee

Somente muito café poderia, por poucos momentos, tirar aquelas idéias de sua cabeça. Já não sabia quem era aquela pessoa do outro lado do espelho. Tudo o que sabia era que alguma coisa não estava certa.

Sentia em sua alma que mudar era possível, mas será que faria algum bem? Com certeza alguém se beneficiaria, alguém sempre sai ganhando.

Mas o primeiro passo fora dado, e o vento em seu rosto era extremamente forte, impossibilitando-a de respirar o ar puro daquelas montanhas.

Voava como os pássaros, em liberdade, até que o encontro de sua carne com a mãe terra encerrou a jornada.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Soneto (27/05)

O som do silêncio enlouquece a mente
Que por si só já sente a solidão
De um ser sem vida que jaz sob o chão
Com alma prisioneira do presente

Ela nada pode ouvir, ver, senão
O vácuo tão irritante, insistente
Que, como insano, grita novamente
O mudo som que a morte trouxe em vão

Nenhuma sensação é comparável
À eternidade fria e sem cor
Quando sobre a lápide a mão afável

Liberta de uma agonizante dor
Que se mostra cruel e interminável
Aprofundando a sensação de horror